Neste dia 17 de março, o Brasil dará um passo histórico com a entrada em vigor do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital). Para uma parte da indústria, o anúncio de novas restrições, especialmente a proibição de técnicas de perfilamento (profiling) para o direcionamento de anúncios a menores, pode gerar apreensão. A perspectiva que devemos adotar, no entanto, é exatamente a oposta: o ECA Digital é, indiscutivelmente, uma excelente notícia para o mercado publicitário.
Historicamente, enquanto os Estados Unidos lideram globalmente a proteção infantil com legislações como a COPPA, o Brasil tem se posicionado como o grande pioneiro na América Latina na proteção da privacidade, com marcos robustos como a LGPD. O novo ECA Digital eleva esse padrão, criando o que chamamos de level playing field (campo de jogo nivelado). Quando existe um marco regulatório claro, as indústrias crescem de maneira sustentável e ética. As novas regras não limitam a inovação; elas encerram as “zonas cinzentas”, separando as empresas que operam com responsabilidade daquelas que não o fazem, e permitindo que as marcas invistam com total segurança jurídica.
Diante de diversos questionamentos de distintas naturezas, sobretudo envolvendo o impacto das telas no público infanto-juvenil, muitos podem ainda se perguntar: por que a publicidade direcionada a esse segmento continua sendo essencial? Porque, hoje, crianças e adolescentes influenciam até 95% das decisões de compra nos lares brasileiros, e 8 em cada 10 pais reconhecem esse impacto direto. Ignorar essa audiência não é uma opção estratégica para as marcas.
Mais importante ainda é o papel social da publicidade. Precisamos ser conscientes de que o conteúdo de qualidade na internet não é realmente “gratuito”. Existem apenas dois modelos de acesso à maior biblioteca da história da humanidade: ou o usuário paga por assinaturas, ou o investimento das marcas financia esse acesso. No YouTube, por exemplo, mais de 96% dos usuários optam pelo modelo gratuito financiado por anúncios, contra apenas 4% que pagam a versão Premium.
No contexto socioeconômico da América Latina e do Brasil, a publicidade atua como uma habilitadora do acesso universal. Graças aos anunciantes, milhões de crianças podem aprender, se informar e se entreter sem barreiras econômicas. Limitar excessivamente a publicidade secaria as receitas dos criadores de conteúdo, resultando em uma internet elitizada onde apenas quem pode pagar teria acesso a ambientes seguros e educativos.
O desafio, portanto, não é proibir a publicidade, mas fazê-la da maneira correta. O mercado adtech já possui as ferramentas para isso. Plataformas como o DSP da Kidscorp provam que é totalmente viável realizar campanhas altamente eficientes através de segmentação contextual rigorosa, sem a necessidade de coletar dados pessoais ou utilizar profiling comportamental. É possível conectar marcas às novas gerações operando 100% sob os princípios de Privacy by Design e garantindo ambientes brand safe.
O ECA Digital não vem para asfixiar a indústria, mas para amadurecê-la. As empresas que priorizam a transparência e a segurança já estão prontas para liderar essa nova era. Mais do que uma obrigação legal, oferecer uma publicidade ética e segura é o nosso compromisso com o futuro da internet e com as novas gerações.