Sem marca e sem gênero: empresa aponta 5 tendências para o mundo digital infantil

Uma propaganda sem marca, sem gênero, que ofereça uma ferramenta de ensino e que possa fazer com que seu consumidor seja recompensado depois de assisti-la.
Difícil? Pois, é. Este é um resumo (bem resumido) do relatório que a empresa de tecnologia Kids Corp preparou com 5 tendências para o “ecossistema digital infantil” que devem avançar durante este ano.
Para Nicolás Cáceres, diretor de consumer experience da empresa, a crise causada pela pandemia deixará crianças e adolescentes mais resilientes, sensíveis e criativos -mas também mais ansiosos e céticos.
“As telas se tornarão uma fonte inesgotável de exploração, entretenimento e educação da chamada ‘Geração Coronavírus‘, formada pelos ‘Alphas’ (nascidos a partir de 2010), e pelos ‘Centennials’ (nascidos depois de 1997)”, declara Nicolás.
Confira as 5 principais tendências listadas pela empresa, que possui sede em Buenos Aires, na Argentina, e atuação em outros 7 países na América Latina, inclusive no Brasil:
Marcas “acadêmicas”
Trancados em casa com o avanço da pandemia, os jovens buscaram novas habilidades digitais. Marcas devem oferecer (ou potencializar) ferramentas e cursos relacionados aos interesses desta nova geração. Meio ambiente, animais de estimação, design e programação são alguns deles.
Marcas mais plurais
As empresas que não romperem com os estereótipos vão perder a oportunidade de se conectar com essa nova audiência. As gerações mais novas são menos propensas a diferenciar o uso de um produto masculino ou feminino. Atividades que antes estavam segmentadas entre meninos e meninas, como futebol, dança, cozinha ou limpeza, hoje são dos dois gêneros.
Áudio boom
Para as crianças, a voz já é mais relevante que o texto e a imagem. A ‘Geração Coronavírus’ é também a geração da ‘voz’. Impulsionada pela inteligência artificial dos smartphones e dos smart speakers (como a Alexa), os mais novos naturalizam o seu uso para resolver qualquer tipo de dúvida. Ganham espaço os podcasts dedicados a séries, filmes e tecnologia. Aplicativos como ClubHouse e Discord, para interação via áudio, merecem atenção especial.
Gamificação publicitária
Num ano em que os adolescentes ficaram mais conectados do que nunca, apenas as mensagens com caráter lúdico conseguiram se destacar. A estratégia de “gamificação” está se tornando mais amigável para o marketing. A ideia, agora, é comunicar com propagandas mais dinâmicas, que ofereçam desafios adicionais, como soma de pontos para recompensas e rankings de desempenho, por exemplo.
Data driven (de verdade)
As marcas precisam aprender a ‘escutar’ os mais jovens. Isso porque a pandemia tornou o interesse por um tema específico ainda mais volátil. Entender as 4 perguntas básicas (o que, onde, a que hora e por meio de quais dispositivos consomem) passa a ser informação básica de estratégias direcionadas por dados em busca de eficiência.
Induz criança ao consumo? Pode?
Vale lembrar que a publicidade infantil é uma prática que pode ser considerada abusiva, nos termos do Código de Defesa do Consumidor -mas os limites da publicidade voltada ao público infantil trafegam numa zona cinzenta, mesmo havendo regras estabelecidas também pela Constituição Federal e pelo Estatuto da Criança e do Adolescente.
Na semana passada, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu ser constitucional a lei da Bahia que proíbe publicidade de alimentos não saudáveis para crianças. A norma em análise vetou propagandas direcionadas a crianças de “alimentos e bebidas pobres em nutrientes e com alto teor de açúcar, gorduras saturadas ou sódio”.
O plenário do Supremo discutiu apenas a lei baiana, mas o resultado do julgamento serve de jurisprudência para legislações de outros estados que tratem do tema.
Por: Renato Pezzotti